Atividades de leitura literária ocupam um lugar tão importante na Educação Infantil. Ao ouvir histórias, conversar sobre personagens, narrar acontecimentos, desenhar, brincar e expressar sentimentos, as crianças ampliam sua compreensão do mundo e aprofundam sua relação com a linguagem.
A seguir, uma proposta pedagógica intitulada “Brincando de Ler”. A atividade busca promover o gosto pela leitura, estimular a imaginação e fortalecer a oralidade por meio de experiências significativas com a literatura infantil.
Apresentação da proposta
Um rei de bom coração decreta o fim das tristezas em seu reino. E exige que todos vivam felizes, sob pena de serem castigados com cócegas e piadas. Mas o que acontece quando se elimina a tristeza na vida das pessoas?
Problematização pedagógica
Despertar o universo imaginativo através do contato prazeroso e contextualizado com a literatura.
Imaginação e fantasia
A atividade consiste na leitura e interpretação de um livro de literatura infantil. Destina-se à faixa etária de cinco anos e deve estar inserida no projeto de trabalho em desenvolvimento com a turma, a fim de que tenha significado no contexto das vivências pedagógicas das crianças.
Como parte de um processo contínuo que busca despertar o gosto e o prazer pela leitura por meio do contato contextualizado com o texto escrito, a atividade tem como objetivos principais o desenvolvimento da imaginação, estimulada pela fantasia, e da oralidade, por meio da narrativa.
O livro proposto é “O decreto da alegria”, escrito por Rubens Alves e ilustrado por Luiz Maia. Tem 24 páginas e conta a história de um rei que decreta o fim das tristezas em seu reino. O rei tem um bom coração e quer apenas a felicidade do seu povo; por isso, estabelece um decreto que exige que todos vivam felizes, sob pena de serem castigados com cócegas e piadas. Com isso, o rei ignora a importância da tristeza na vida das pessoas. A proposta pedagógica é justamente problematizar, de forma lúdica, a importância da tristeza, não como simples oposto da alegria, mas também como um sentimento humano importante, inclusive para que a alegria exista realmente.
Sugestão de roteiro e abordagens pedagógicas
a) É fundamental que a professora estude o livro no sentido de incorporá-lo, tornando-se, ela própria, a portadora da história, e não apenas uma leitora que utiliza técnicas para prender a atenção.
b) A partir do conteúdo do livro, eleger os principais conceitos relacionados a valores, costumes e relações sociais, tendo como eixo norteador a problematização da relação entre alegria e tristeza.
c) É fundamental sensibilizar previamente as crianças, criando um clima de expectativa e interesse pela leitura. Por exemplo, mostrar o livro e dizer: “Aqui dentro tem uma história muito interessante sobre um rei que só queria alegria e não gostava da tristeza… Alguém aqui não gosta da tristeza? Será que ela só é ruim ou pode ser boa?”
d) Preparar, juntamente com as crianças, um ambiente aconchegante para a leitura, que poderá ser dividida em dois momentos: o primeiro pode valorizar a ludicidade e as situações que envolvem a problematização proposta; o segundo pode permitir que as crianças visualizem as palavras e acompanhem o que está sendo lido, pelo menos em algumas partes.
e) Após a primeira leitura, perguntar, por exemplo, por que, no início, os súditos gostaram da ideia e o que começa a acontecer quando percebem que há coisas tristes que fazem parte da vida, mas que estão sendo proibidas: o entardecer e a tristeza gostosa do crepúsculo, o canto triste do sabiá, a poesia triste e melancólica que nos emociona.
f) Após a segunda leitura, trabalhar o desenvolvimento da oralidade, propondo situações em que as crianças narrem a história em um processo interativo com o grupo, brincando de ler o livro.
g) Realizar a releitura da história, ou de parte dela, por meio do desenho e de hipóteses de escrita, expondo os trabalhos para toda a comunidade escolar no “varal do Brincando de Ler”.
h) Como fase final da atividade, considerando o envolvimento e a motivação das crianças, pode-se propor uma entrevista com as famílias sobre o que pensam da tristeza e da alegria, com perguntas elaboradas pela turma. Por exemplo: “A tristeza e a alegria podem ser amigas?”









